Mandalas: o que significam pra mim…

Olá pessoal!

Olha eu aqui novamente escrevendo sobre um assunto que muito me agrada: MANDALAS.

Gosto das mandalas por diversos motivos bastante relevantes:

Motivo 1 – A magia – a religiosidade – a efemeridade da vida… o desapego

Resumindo uma parte que acho linda e interessante das mandalas: os monges budistas ficam meses preparando mandalas imensas, com areia colorida, com rigores e minucias, detalhes infinitos e belíssimos… mas numa determinada data/comemoração/ritual “destroem” as mandalas, caracterizando a efemeridade da vida e o desapego (coisas difíceis para o homem ocidental, não é mesmo?!)… E demonstrando que a beleza e grandiosidade está no fazer, no trilhar os caminhos e não no resultado final, não no apego… enfim, é o MEU resumo de um entendimento amplo e de cada um… mas que muito me encanta e faz pensar.

mandala com florrmandala Cristine Torchia – Ateliê Lua Azul

Motivo 2 – O psicológico – o psiquiátrico – a expressão do inconsciente – Jung e Nise da Silveira – Pioneira da psicologia junguiana no Brasil.

mandalas nise da silveira

Os estudos de Jung sobre mandalas atraíram a atenção de Nise da Silveira para suas teorias sobre o inconsciente. Através do conjunto de seu trabalho, Nise da Silveira introduziu e divulgou no Brasil a psicologia junguiana. Interessada em seu estudo sobre os mandalas, tema recorrente nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu em 1954a Carl Gustav Jung, iniciando uma proveitosa troca de correspondência. Jung a estimulou a apresentar uma mostra das obras de seus pacientes que recebeu o nome “A Arte e a Esquizofrenia”, ocupando cinco salas no “II Congresso Internacional de Psiquiatria”, realizado em 1957, em Zurique. Ao visitar com ela a exposição, a orientou a estudar mitologia como uma chave para a compreensão dos trabalhos criados pelos internos. Nise da Silveira estudou no “Instituto Carl Gustav Jung” em dois períodos: de 1957 a 1958; e de 1961 a 1962. Lá recebeu supervisão em psicanálise da assistente de Jung, Marie-Louise von Franz. Retornando ao Brasil após seu primeiro período de estudos jungianos, formou em sua residência o “Grupo de Estudos Carl Jung”, que presidiu até 1968. Escreveu, dentre outros, o livro “Jung: vida e obra”, publicado em primeira edição em 1968.

Motivo 3 – o científico – o uso dos lados direito e esquerdo do cérebro

Hoje é muito questionada a tese de que os hemisférios cerebrais possuem uma divisão de tarefas rígida. Algumas funções específicas realmente são privilégio da esquerda ou da direita, mas tudo indica que muitas tarefas funcionem em um esquema de mutirão, em que o papel de cada área varia dependendo da necessidade.

O hemisfério dominante em 98% dos humanos é o hemisfério esquerdo, é responsável pelo pensamento lógico e competência comunicativa. Enquanto o hemisfério direito, é responsável pelo pensamento simbólico e criatividade, embora pesquisas recentes estejam contradizendo isso, comprovando que existem partes do hemisfério esquerdo destinados a criatividade e vice-versa. Nos canhotos as funções estão invertidas. O hemisfério esquerdo diz-se dominante, pois nele localiza-se 2 áreas especializadas: a Área de Broca (B), o córtex responsável pela motricidade da fala, e a Área de Wernicke (W), o córtex responsável pela compreensão verbal.

Resumindo, acredita-se (uns mais e outros menos… há controvérsias) que o lado direito do cérebro é o afetivo, emotivo, artístico e intuitivo… e que o lado esquerdo do cérebro é o lado racional, matemático, sistemático…

mandala com tecido e bordadossmandala Cristine Torchia – Ateliê Lua Azul

Motivo 4 – o terapêutico

“Grosseiramente” resumindo – sendo assim (pensando sobre os 2 lados do cérebro e suas finalidades e características), ao realizar/criar uma mandala usamos os 2 lados do cérebro simultaneamente, pois “precisamos” criar as belezas, as cores, as formas, a arte da mandala… e ao mesmo tempo, raciocinamos sobre as subdivisões geométricas, matematicamente separadas, selecionadas, divididas…

Quanto mais nos aprofundamos na realização/elaboração da mandala, mais usamos os dois lados do cérebro, e quanto mais usamos o cérebro, mais nos concentramos, e quanto mais nos concentramos, mais relaxamos…

Talvez por tudo isso, Nise da Silveira, Jung, terapeutas, artistas, doentes psiquiátricos (e nem tanto), religiosos e outros vários vejam na MANDALA uma possibilidade e tanto… uma possibilidade de libertação, de criação, de conexão com o universo/cosmo, de expressão (do inconsciente ou não), de arte, de concentração, de relaxamento e muito mais.

Para mim, basta verificar os resultados em aulas dadas por tantas vezes e para públicos tão distintos – adultos, terceira idade, crianças – e perceber o ruido ser reduzido, pouco a pouco, a criatividade rolando, em principio com dificuldade e medo, mas logo após com alegria, com espanto e contentamento, com requintes, com simplicidades, com infinidades de cores, formas, divisões, belezas, intensidades, forças, movimentos, energias… uma amplitude… e a infinidade de conexões e possibilidades.

mandala com tecido e estrela botão

mandala Cristine Torchia – Ateliê Lua Azul

Coisa linda de ver e viver – MANDALAS!

Enfim, é provável que muitos outros possam preencher com rigorosos detalhes e aprofundar essas minhas percepções… mas queria dizer a vcs o quanto pode ser benéfico parar um momentinho, riscar, desenhar, pintar, colar, recortar, costurar, bordar MANDALAS… principalmente naqueles momentos em que estamos meio jururus, raivosos, tristes, nervosos… a sensação se esvai, se reduz, se modifica… e a nova percepção é diferenciada, mais tranquila, mais serena, mais leve…

Tentem!!! E depois me digam o que acharam. ok?! Os bordados estão em alta e vcs podem criar maravilhosas mandalas bordadas.

mandala bordada br

mandala Cristine Torchia – Ateliê Lua Azul

E se tiverem mais informações e quiserem compartilhar comigo e com as amigas que nos lêem, muito obrigada, pois todas as informações serão bem vindas.

Ótimas mandalas!
#dicas – Use linhas Rubi, ou meadas Maxi Mouline para bordar as mandalas e costurá-las. Use agulhas número 22 ou 24 para bordar – Círculo. Aplique tecidos Círculo para compor e subdividir áreas coloridas e estampadas. Varie os pontos bordados. Ouse nas cores e formas. Quanto mais fazemos e criamos, mais a nossa criatividade flui. Bons trabalhos. Ótimas mandalas!

mandala 1 madeira

mandala Cristine Torchia – Ateliê Lua Azul

mandalas aluna piracicaba

mandalas aluna – Piracicaba

mandalas alunas b

mandalas alunas – Bertioga

mandalas alunas

mandalas alunas – Pinheiros

mandalas alunas x

mandalas alunas – Campinas

mandalas curitiba3

Workshop de mandalas – Curitiba

prendedor cabelo pintura couro

mandala Cristine Torchia – Ateliê Lua Azul

Por:
Cristine Torchia